domingo, 15 de dezembro de 2013

Meu eu

Meu corpo é enorme, imenso.
Aqui cabe mais que eu, aqui cabem pessoas, momentos, amores.
Aqui cabem vontades infinitas, prazeres incontáveis, tristezas.
E de tão grande - tão farta - tão cheia de espaço, me sinto só.
Vazia.
Impossível preencher esse todo. Ou seria possível?
Não, que nada! Não há modo de se sentir completa nesse mundo de solidão.
Ou há?
Olho pro lado e vejo incontáveis pontos de felicidade alheia. Felicidade... o que é isso?
Minha felicidade não é sua felicidade e tampouco felicidade de outrem.
Felicidade é um bicho tão mutante quanto a própria mudança, se camufla e se transforma.
E eu vou me transformando junto...
Há algum tempo diria que sou assim e ponto. Não sou. Estou.
Todos nós estamos.
E a cada vírgula, a cada linha, eu mudo junto com o enredo.
E me sinto bem - completamente bem - sem conhecer o meu abstrato desfecho.

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